A intervenção na antiga Colónia Balnear da Areia Branca parte de um princípio simples: preservar a identidade e a volumetria do edifício existente, clarificando a sua linguagem original em vez de a contrariar.
Três gestos estruturam esta clarificação — a unificação da fachada num único tom próximo da areia envolvente; a abertura dos pisos térreos, devolvendo a leveza do desenho original sobre pilotis; e o reforço da horizontalidade da composição, através de módulos que traduzem para o exterior a lógica interior do edifício.
O tijolo de vidro surge como material-charneira: ilumina, protege e ao mesmo tempo revela, funcionando como uma pele que medeia a relação entre o edifício e a paisagem dunar. Dentro, madeira e terrazzo devolvem calor e memória a um espaço que volta a olhar o mar.
A organização funcional segue esta mesma lógica de clareza: a entrada e o átrio fazem a charneira entre o restaurante e o resto do piso térreo, enquanto a receção, aberta ao mar, liga naturalmente o centro interpretativo, o bar e a praia. De um lado e outro, espaços de apoio — sala polivalente, ginásio — reforçam a ideia de um equipamento que serve tanto o hotel como a comunidade envolvente. Nos pisos superiores, mantendo a configuração original em duas alas, os quartos organizam-se ao longo de um eixo simples que preserva a vista para o mar em ambas as frentes.
Mais do que um hotel, propõe-se um pólo com raízes na Beira Baixa — através da gastronomia, de um centro interpretativo que recupera a história do edifício como antiga Colónia Balnear (1974–2007), e de uma relação directa e sem barreiras com a praia.












