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habitação plurifamiliar a custos acessíveis – Carapalha, Castelo Branco

Enquadramento

O projeto propõe a construção de um edifício de habitação plurifamiliar a Custos Acessíveis, situado na Rua Adelino Semedo Barata, no Bairro da Carapalha, em Castelo Branco, integrado na Urbanização da Quinta da Carapalha.

O lote, confinante com via pública em três frentes, insere-se numa zona de expansão prioritária da cidade, cujo Plano de Pormenor (ZUE-R – Quinta da Carapalha) define os principais parâmetros urbanísticos: estacionamento automóvel, articulação viária, espaços verdes e equipamentos coletivos. A proposta procura ainda reduzir a volumetria inicialmente prevista no loteamento original, respeitando essa diretriz. Mais do que cumprir os indicadores técnicos, o objetivo foi conceber um edifício harmoniosamente integrado na malha urbana existente, valorizando o espaço público envolvente.

Conceito e organização

O edifício desenvolve-se em oito pisos de habitação assentes sobre um embasamento de dois pisos de estacionamento coberto, que ocupam a totalidade do lote e absorvem o desnível acentuado entre a Rua Adelino Semedo Barata e a Rua da Estrada. Cada piso de estacionamento tem acesso independente à via pública, evitando circulações internas desnecessárias. O programa inclui ainda um posto de carregamento elétrico e doze lugares para bicicletas.

No total, o edifício contempla 15 fogos — apartamentos T1 no piso térreo e T2 nos restantes pisos, com um único T2 no último piso, reduzindo a altura percebida e libertando dois terraços para painéis solares e equipamentos técnicos.

A distribuição interior privilegia a iluminação e ventilação naturais: cada fração confina sempre com duas fachadas, organizando-se em torno de uma zona de trabalho — pensada para o teletrabalho —, quartos, cozinha aberta à sala e varanda orientada a sul, com vista panorâmica sobre a cidade.

O espaço exterior inclui uma zona ajardinada, um parque infantil junto ao estacionamento e um mural artístico no muro de contenção, reforçando a qualificação do espaço público e a integração urbana do conjunto.

Materialidade

Os acabamentos exteriores exploram um jogo cromático que acentua a subtração de volumes: varandas, lavandarias e núcleo de escadas surgem em bege marfim, contrastando com o plano das fachadas revestidas a metal distendido em bege claro, disposto em dois padrões de orientação. Nas guardas das varandas, o metal distendido em branco e menor densidade confere leveza e transparência ao conjunto. Esta linguagem estende-se aos espaços comuns interiores, onde a mesma paleta acentua os acessos e nichos de entrada.

Nos apartamentos, optou-se por soluções que equilibram qualidade e controlo de custos: pavimento vinílico com acabamento em carvalho claro, cerâmico nas zonas húmidas e bancadas de cozinha em granito da região.

Conclusão

O projeto conjuga o cumprimento rigoroso do programa preliminar com decisões estratégicas orientadas para a funcionalidade, a sustentabilidade, a estética e a boa integração urbana — resultando num edifício que responde às exigências atuais de habitação coletiva sem perder identidade arquitetónica.