Este projeto consistiu na requalificação de um recinto desportivo e do respetivo espaço envolvente, situado na quinta do Amieiro, em Castelo Branco.
Anteriormente, o recinto encontrava-se em estado avançado de degradação, sendo que se tornava pouco atrativo ao uso. Esse fator, conjugado com uma envolvente urbana constituída por fachadas de garagens com portão direto para o exterior e estacionamentos, francamente monótona, criaram a necessidade de se reabilitar e revitalizar este espaço urbano de miolo de quarteirão, em duas vertentes de intervenção:
a. Intervenção artística, procurando-se criar um espaço mais apelativo, conferindo-lhe uma identidade única e um conceito próprio;
b. Requalificação construtiva e arquitetónica, fazendo com que o recinto fosse um espaço de jogo seguro e durável, dotado de zonas de estar.
Estes dois vetores da proposta, serão descritos seguidamente com mais detalhe, no intuito de a tornar mais explícita.
a. Intervenção artística
A nível conceptual, procurou-se um referente que pudesse estar relacionado com a identidade de bairro, tendo em conta o seu contexto algo descaracterizado. Deste modo, uma vez que estamos na Quinta do Amieiro, a intervenção incorpora um padrão abstrato que se estende sobre toda a área de intervenção, com motivos e cores de base vegetalista, remetendo para um universo vegetal (árvore Amieiro).
Tendo em conta que se pretende que o recinto desportivo seja predominantemente destinado ao basquetebol, a construção geométrica foi ainda baseada nos arcos das suas marcações de campo.
Além disso, acrescentou-se ainda a palavra “Amieiro” à intervenção, sendo que as letras se repartem pela superfície do campo e de um muro adjacente e convergem para o centro do campo, criando-se um motivo gráfico dinâmico, em que a forma da palavra se vai metamorfoseando no espaço, segundo o ponto de vista em que o utilizador estiver.
b. Requalificação construtiva e arquitetónica
A intervenção incorpora, além da zona do campo, dois espaços de estar a ela adjacentes, que a integram e resolvem espaços sobrantes a nível urbano. Estes englobam, tanto zona pavimentada, como bolsas ajardinadas com espécies arbustivas rústicas, de baixa manutenção, como a Festuca Glauca, a trepadeira Parthenocissus tricuspidata e a árvore que dá nome ao bairro, no qual se insere a proposta.
No âmbito construtivo, procurou-se obter, com uma economia de meios considerável, o maior impacto possível no espaço, ao serviço do conceito artístico. Assim, o pavimento do campo foi refeito desde a sua base, sendo constituído por betão armado com malha electrossoldada, tratado superficialmente com camada de desgaste de argamassa decorativa para pavimento de betão, para pintar. Os bancos e muros foram executados em betão in situ, e integram a intervenção artística, no que se refere à sua continuidade gráfica. A base integra ainda as duas tabelas de basquetebol, instaladas por meio de fixações mecânicas.
A vedação existente, foi removida e substituída por uma mais resistente, que existe apenas em três frentes do campo, minimizando-se a perda de permeabilidade espacial do recinto com o arranjo urbano e paisagístico. Durante a obra, a pedido dos residentes locais, foi acrescentado ainda, a este conjunto, um campo de malha, que ocupa uma faixa estreita de terra batida numa zona contígua ao campo.
Assim, com uma intervenção mínima, obteve-se um impacto considerável, a nível de revitalização urbana, na utilização deste espaço. Com efeito, o campo e os seus espaços adjacentes tornaram-se agora muito mais convidativos à prática desportiva, sendo que se verifica uma grande afluência de pessoas de várias faixas etárias que usam o campo de basquetebol (inclusivamente para praticar outros desportos ou jogos).






















