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A dbA arquitectura na Technische Universität München

Em fevereiro de 2026, o atelier esteve presente no European Forum on Hempcrete Architecture, na Technische Universität München, um encontro que reuniu investigadores, produtores e ateliers de arquitectura em torno de um tema comum: como construir com menos carbono, sem perder a ligação às técnicas construtivas tradicionais.

A participação da dbA neste fórum surge de um interesse que já vinha a amadurecer no atelier — o do cânhamo como material construtivo. Mais do que uma alternativa “verde”, o cânhamo-cal oferece uma resposta concreta a um problema que atravessa hoje toda a arquitectura: a pegada de carbono dos materiais que escolhemos. Ao contrário da generalidade dos sistemas construtivos, que emitem carbono ao longo do seu ciclo de vida, o cânhamo comporta-se como um sumidouro — captura mais carbono do que aquele que liberta na sua produção, um argumento que ganhou peso central nas discussões em Munique.

O contacto directo com produtores e investigadores da indústria do cânhamo permitiu ao atelier aprofundar questões técnicas que raramente chegam à prática corrente — desempenho térmico e higroscópico, tempos de cura, compatibilidade com ligantes de cal, e sobretudo a forma como este material dialoga com sistemas construtivos mais antigos. Foi precisamente esta última questão que mais interessou à dbA: a possibilidade de integrar um material contemporâneo e de baixo impacto num vocabulário construtivo enraizado na pedra e na madeira, que continua a definir grande parte do território onde o atelier trabalha.

Uma das partes mais estimulantes do fórum foi o contacto com os protótipos desenvolvidos pelos estudantes de arquitectura da TUM, onde se exploravam novas possibilidades para os biomateriais — desde composições alternativas de cânhamo até outras fibras naturais, testadas em maquetes e amostras construtivas que davam corpo a hipóteses ainda em fase experimental. Este olhar académico, livre das exigências imediatas da prática profissional, trouxe ao atelier um contacto próximo com direcções de investigação que dificilmente surgem no dia a dia de um atelier.

O fórum incluiu ainda um painel de partilha com outros ateliers europeus presentes, entre os quais o parisiense Barrault Pressacco e o muniquês Büro Kofink Schels, que permitiu confrontar abordagens distintas ao uso do cânhamo na construção. Ficaram claras tanto as semelhanças — o compromisso comum com o carbono negativo e a valorização de sistemas construtivos regionais — como as diferenças, na escala das obras, nas soluções construtivas adoptadas e no grau de integração do cânhamo com outros materiais tradicionais em cada contexto nacional. Uma troca que situa o trabalho da dbA num panorama europeu mais amplo, e que confirma que há mais do que um caminho válido para construir com este material.

As explorações académicas apresentadas no fórum — sobre biomateriais, compósitos naturais e novas formulações de argamassas de cânhamo — abrem um campo que a dbA pretende continuar a acompanhar de perto, não como curiosidade técnica, mas como parte de uma reflexão mais ampla sobre sustentabilidade que o atelier já traz para os seus projectos. Desta viagem, ficam contactos com quem investiga e produz estes materiais na Europa, e a confirmação de que há um caminho a explorar entre inovação e tradição construtiva.